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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Pinare



Eu pino, tu pinas, ele pina, ela pina, nós pinamos.
Eu amo, tu amas, ela ama, nós amamos.
Ora todos amam mas nem todos pinam,
Todos têm o amor, mas nem todos o pinam.

Ora se todos amam, mas nem todos pinam,
Amar não liga com pinar, o que opinam?
Se amo um amigo, não quer dizer que pino,
Se amo rapariga, será pinar o meu destino?

Pinar é como almoçar, sem nada, come-se alguma coisa,
Amar é um supremo, ou amo ou não amo dita coisa,
Será que pinar e amar não é a mesma coisa?
Mas pinar com amor é qualquer coisa...

terça-feira, 7 de maio de 2013

Famoso e Reconhecido


No mundo de diversas ideologias a necessidade da liberdade é a mesma.

Na infância pensamos que o mundo é nosso... Uma vez que somos pisados nos calcanhares, passamos para adolescência. Quando nos obrigam a pagar pelo que achávamos sagrado, já somos adultos, correndo à procura da nossa liberdade através de diversas ideologias, mal formadas. Já não queremos o mundo na mão novamente, mas sim a felicidade e a paz interior. Há quem busque a paz criando um mundo interior, cheio de café e beatas no cinzeiro, há quem plante as hortaliças no seu quintal, e há quem ache que a melhor defesa é ser adorado pelos outros. No caso do último, com tempo, até pode chegar o desejo de poder e avareza. Tudo depende dos nossos objectivos e da compreensão da realidade. A verdade é sempre uma, mas poucos sabem o seu sentido...

Ser famoso é um poder, a durabilidade  do qual mantem-se através da qualidade de exemplos que somos e prestamos para os demais. Não é mal tê-lo, mas é errado querer-lo ou tentar atingir. O reconhecimento chega por ele mesmo, sendo nós, correctos, naquilo que fazemos... Porque - "aquele que de si mesmo esqueça logra."

Domar a fera é obra de arte. 
Domar dentro de mim e não noutra parte,
Não chegam a mera coragem e inteligência,
Não há arma, apenas possuo a  paciência.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Doido


Mas qual dos poetas é que tem a alma sã? Nenhum de facto. 
Eu, doido, escrevo, não tanto para o leitor como para mim mesmo. Para acalmar as próprias ambições e reler a própria obra varias vezes. Reler e alimentar-me assim do próprio texto. Podem chamar-lo auto-vampirismo se assim preferirem. 
Se vale a pena continuar assim? Qual sentido de gastar a tinta se não para o leitor?  
E se parasse de escrever mesmo? Para alguns de vocês, leitores, seria perder o apetite de saborear algo novo da minha alma, mas para mim significava uma única coisa - que me curei desta alta psicose nomeada de Poesia...

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Franqueza


Olhos nos olhos com franqueza, é tão difícil explicar o todo.
Que tem de mais, diz lá o que esta errado? Mas não, mantenhas o silêncio! De baixo a máscara alegre ocultas sentimentos todos. Com o sorriso sacrificas lábios, mas teus olhos não desmentem a tristeza. Pensando bem, que tenho eu do melhor? Com meu medo de dizer que mude para o pior. E assim, como planetas, somos eu e tu, parece estamos perto, mas cada um com seu destino. O teu vai por entre as estrelas, e meu pelo pó do Universo, entre inúteis sonhos pessoais a invocar franqueza – meu cativoOlhos nos olhos com a franqueza, é engraçado e triste, porque o teu símbolo é anarquia e o meu é loucura.

Árvore



Xiiiiiiiu xiiiiiiiu. Estão ouvir? A mãe natureza fala-nos. Ela diz que a partir de agora a nossa existência humana acabou… Ela transformou-nos em formigas, porque nós, seus filhos pródigos não fomos capazes de ouvir-lha com os próprios ouvidos. Estamos lançados no meio da floresta, extremamente verde, abundante e virgem. Abandonados, longe do nosso formigueiro, castigados, mas com alto poder de sentir, ouvir e observar. Sim, sim, vocês conseguem, basta acreditar… Quando eramos grandes não apercebíamo-nos que fortes turbilhões de vento provoca uma folha caída, e que horríveis terremotos e mortes, traz uma árvore deitada a baixo. Uma árvore robusta, verde, alta e crespa, que centenas de anos têm servido milhares de formas de vida diferentes. Uma árvore que suportou milhares de trovoadas nocturnas, cuidadosamente, guardando as gotas de água entre suas folhas, para oferecer a vinda do sol na madrugada, dizendo: tome ó meu criador, guardei essa água para ti, para agradecer o todo, quanto tu te empenhaste por fazer-me viver. Quando o sol, ria-se para ela, acariciando as folhas de raios quentes, respondendo: não quero caríssima, antes oferece essa água a tua mãe terra, porque nela estão as tuas raízes e dela os teus ramos verdes bebem quando estão sedentes. Plum plum plum plum plum plum, estão ouvir? Assim, caiam sobre o solo as cristalinas gotas de água. Não, a árvore não estava a chorar, apenas estava imensamente grata…

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Luz Para Ti!


Para uma mente triste a luz do dia não existe! A linda melodia torna-se obscura. Palavra boa e franca nunca considerada como a segura. O vento leva cinzas pela alma triste e escura, os pensamentos estão dispersos, já não se sabe diferença entre normalidade e loucura. Mas ao contrario da mente triste existe mente optimista! Quando a mais triste melodia caricia o ouvido e sacia. Quando da boca saem as palavras que toquem coração que fortalecem almas. Quando abraço de amor nós faz mover montanhas e ultrapassar a qualquer pavor. Quando ideias ganham asas e simples letras formam frases. 
No mundo tudo contamina: tristeza - é veneno, luz na mente - vitamina!  

sábado, 1 de setembro de 2012

Noite de Magos


A lua estava cheia. Situava-se mesmo no alto do céu, lembrando um lampião olhando para baixo. Sua forte iluminação sobrava para um estreito caminho de terra que serpenteava pelo meio da ravina rodeada do bosque de acácias e carvalhos.  Parecia um amanhecer em plena noite... O avassalador silêncio fazia ouvir o sussurro das águas de baixo da terra, toda espezinhada de animais agrestes. A leve e fresca rajada do vento inclinou as altas ervas e flores como se as quisesse pentear. E os velhos carvalhos responderam com o murmúrio das suas folhas verde-escuro. O ar estava fresco mas a terra ainda respirava o poderoso calor do fim de Agosto. Tão leve como o vento, no caminho apareceu uma silhueta que parecia ser humana. No solo coberto de luar reflectiam três sombras que provinham dela. Com uma mão, passou vários metros, acariciando as copas das ervas que decoravam a berma do caminho. E começaram a cantar os milhões de grilos e cigarras. Depois, destinou as suas mãos à terra, como se agarrasse em algo invisível e fez suavemente subir-lo para cima. No leito da nascente de um riacho seco começou a bater água, molhando os calhoes negros, fazendo os brilhar como diamantes. Uuuuu...  Huu-hu-hu-huuu... imitou o homem a voz da coruja. E logo, em resposta, do fundo do bosque, ouviu-se a voz duma coruja verdadeira. O caminho deu com uma clareira, rica de ervas altas e cheiros diversos. Tudo ficou calado novamente. Mas divinal silêncio não demorou a ser perturbado por um sussurro do homem que embora sussurrasse parecia fazer eco em toda a floresta. Snip... snip... snip...   tesourava a mão do homem pondo as flores do Cardo num pequeno saco de tecido.  Com isso não parava de sussurrar algo que não dava para perceber... Na escuridão da floresta ouviu-se vários barulhos de partir as galhas. Quando tinha acabado encher a saca, caminhou até ao centro da clareira e acenou com a cabeça para os quatro lados, mantendo as mãos na posição da mantis. Antes de partir, ainda ficou uns momentos olhando para a lua e respirando profundamente. Uma nuvem negra tinha coberta toda a lua, quando o agudo grito de uma coruja penetrou a espessa escuridão do bosque...

"Dizem que as bruxas não existem, mas que as há, há!!!" (proverbio popular)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Estrela Cadente


É estranho quando vem a primavera em Agosto. As folhas mudam cor de verde para a cor-salada. Eufórico cantar dos pássaros provem de todo lado. E vento quente, novamente, traz o aroma duma flor que enche o meu peito de calor sagrado. Os sonhos loucos junto às insónias, os pensamentos ternos - tudo tem voltado! Olhei e vi como o grande céu chorou. Uma estrela por Amor perdido e talvez reencontrado...

domingo, 10 de junho de 2012

Moral


Moral - na vida, por nada nada acontece,
Moral - fazer, quando fazer não apetece,
Moral - amar, não esperar por ser amado,
Moral - viver aqui e agora e não com o passado!


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Sonhos



E novamente vem misteriosa e escura noite,
Cansaço fecha-me as pálpebras, parece a morte.
De novo estas comigo oh Deusa das trevas!
De novo pegas-me na mão e levas observar estrelas.


Eu sei, embora és rainha do escuro,
Admiras a escuridão da minha alma,
E sabes bem que a luz que eu procuro,
Esta no meio das estrelas e na tua noite calma.


E novamente me levaste visitar a uma das estrelas,
A uma que já conhecia e jamais pensei reencontrar nas trevas,
Aquela que para mim brilhava e brilha mais que o resto das estrelas,
Aquela que não volta mais, aquela que da luz da minha Alma fez as trevas.


E cada noite é tão doce na companhia dos Incubus cervos teus,
E cada madrugada tão amarga olhando o mundo com os olhos meus,
E agrada-me saber que cada dia estou mais próximo a morte,
E aqui, apenas quero conseguir o concebido e depois deseja-me a boa sorte! 


Mas até lá - impiedosa madrugada meus sonhos vai queimar,
Terei de acordar, mas sei, com pôr do sol a Deusa da noite vai voltar,
Assim a eternidade disse-me,
E assim escrito esta na água, na terra, no fogo e no ar! 








  

terça-feira, 29 de maio de 2012

Pôr da Lua



            Jantei... Tal como já era o costume, a jantarada era tardia. Alias, mais se parecia com o pequeno almoço. Duas menos dez da manhã. Olhei para a janela. O quarto crescente da Lua estava pendurado mesmo em cima das luzes da periferia da cidade que se estendia até ás montanhas. Envolvida na escuridão celeste, estava tão próxima que parecia fazia parte dos milhares de lampiões, quais sendo um mar de brilho, chamavam-a para baixo. E ela lhes obedecia.

             Abri a janela e pôs-me sentado no peitoril. Uma rajada do ar fresco acariciou o meu corpo. Inspirei a fundo e fiquei contemplando. O mágico pôr da lua... Quantas vezes esse por mim já foi observado... O silêncio era majestoso. O tique-taque do relógio era a única coisa que se ouvia na minha cabeça. A Lua descia. De muito longe ouviu-se um agudo ladrar dos cães, depois passou um carro, depois o silêncio novamente. Conseguia ouvir a minha respiração. O encarnado lunar começou a ficar manchado, cada vez brilhando menos. Era a nuvem que estava dormida em cima da montanha. Chegou o teu fim, pensei. Até que ela desapareceu por completo. Escuridão, silêncio, fria respiração da noite e pensamentos. Muitos pensamentos... Se calhar se passassem mais mil anos olhando para o pôr da Lua, estes seriam sempre os mesmos...

              Olhei para o relógio. Duas e meia da manha. Hora de viajar. Visitar outros mundos. Os mundos dos meus sonhos...

sábado, 5 de maio de 2012

Lua



A lua cheia - angustia do lobo,
Agora uivar! Dormir é logo...
A tua alma dorme, a minha esta voar,

Assim até que vem o sol -
a caminhar pensando, pensando a sonhar...

terça-feira, 10 de abril de 2012

Princesa África




Como aguaceiro se dissipa na terra seca e quente, o meu corpo era absorvido pelo o teu. O teu olhar jocoso contra o meu imponente, o teu cheiro-flor tão tenro e tão belo. Os frios picos - seios teus, copas do Kilimandjaro, a minha boca beijava! Barriga tua, como a erva da savanna, acariciada pelo vento quente, respirando levantava e baixava. Magia e poder! Beleza e Paixão! - No teu corpo o coração da África para mim falava!

terça-feira, 27 de março de 2012

Felicidade






Eu caio no abismo das rimas,
Distantemente da realidade,
Folheio livros de poesias mais primas,
Mas não encontro lá felicidade.

Deseperado á procura
No mundo feito da maldade,
Se num ser humano nada é seguro
De que é feita tal felicidade?

Lutava, resistia, persistia, inutilmente o fiz,
O mundo é feito de hipocrisia,
Desprendo o meu rancor na poesia
Embora ser poeta nunca quis!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Recordo-me







Tudo que neste mundo é bom faz-me de ti lembrar: Manhãs após manhas, envolto nos raios de sol, orvalho nas ervas pisar. Ouvir os trovões coberto de quentes monções, faz-me de ti lembrar. As montanhas imponentes, as luzes das estrelas cadentes, as noites que nunca acabam, os sonhos onde tu e eu estavam. Os teus olhos dois sóis poentes, tão grandes, tão ternos, tão quentes! 

sábado, 24 de março de 2012

Vento de Júpiter





No barro, bem com os pés envolto,
Centauro apontava flecha para o céu,
De pó nasceu e em pó ele volta,
Mas sabe de onde seu espírito desceu!

sábado, 17 de março de 2012

Os Versos sem Palavras




Apetece-me escrever mas não há palavras...
Parece-me que disse tudo o que tinha por dizer,
A poesia é a luz para curar as almas.
Mas o que vale um poeta sem palavras?


A dor e alegria me faziam escrever,
E novas maravilhas descobrias dentro minha alma,
Agora, somente sobram os desertos  para ver,
Os ventos de tristeza e saudade roem minha calma.


Infelizmente, nem todos temos o poder - sentir e ver,
Nem todos nós amamos com a mesma força,
Algures provocamos dores uns aos outros sem saber
E nisso culpa tem o excesso ou a falta da palavra! 

domingo, 11 de março de 2012

Alegria!





Pelos caminhos poeirentos cruzava as montanhas.  Fui a procura da alegria e não encontrei... Apenas o vento forte e frio soprava nos meus ouvidos, falando-me algo... Mas eu não queria ouvir os seus conselhos. Mergulhado nos meus pensamentos mais profundos, na tentativa de  perceber o que  faltava para a tal desejosa sensação, subia cada vez mais alto, parecendo-me que lá nas copas das montanhas é que esta ela - alegria. Cheguei ao cumulo de mundo, pelo menos assim pareceu-me. Esperava de conseguir novamente o prazer de sentir-me pequeno humano no meio desta poderosa paisagem rochosa, onde as copas das montanhas arranham o céu e o sol queima os quatro horizontes. Esperava de sentir-me pequeno mas assim não aconteceu... Talvez porque a alma sofrendo também cresce e ganha resistência? Se a alegria é composta pelos curtos momentos da vida, porque não conseguimos viver apenas com as belas recordações?

quinta-feira, 1 de março de 2012

Morte Social


       Egoísmo, burocracia, politica, arrogância,  pobreza, poluição, capitalismo, narcomania, alcoolismo, fúria, violência, guerras, frieza, medo, tantas palavras horrorosas... Até da para continuar sem fim. Cada dia um de nós cruza-se com palavras destas e segue sem se quer prestar atenção as causas. E talvez tem de ser assim... Não sei... Quando um pintor pensa pintar uma bela obra, há sempre desperdício de papel... Quem sabe se a sociedade seja igual a obra dum  pintor inexperiente? 

      Outro dia, sem propósito, entrei na agência funerária qual pertence a um amigo meu. Era para cumprimentar-lho e partilhar algumas novidades. Envolvidos na conversa entramos no armazém. A primeira coisa que me chamou atenção foi um forte cheiro da verniz e dois pequenos caixões quais foram pintados e estavam a secar. Dois caixões a espera de crianças que ainda não morreram.....