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domingo, 11 de março de 2012

Alegria!





Pelos caminhos poeirentos cruzava as montanhas.  Fui a procura da alegria e não encontrei... Apenas o vento forte e frio soprava nos meus ouvidos, falando-me algo... Mas eu não queria ouvir os seus conselhos. Mergulhado nos meus pensamentos mais profundos, na tentativa de  perceber o que  faltava para a tal desejosa sensação, subia cada vez mais alto, parecendo-me que lá nas copas das montanhas é que esta ela - alegria. Cheguei ao cumulo de mundo, pelo menos assim pareceu-me. Esperava de conseguir novamente o prazer de sentir-me pequeno humano no meio desta poderosa paisagem rochosa, onde as copas das montanhas arranham o céu e o sol queima os quatro horizontes. Esperava de sentir-me pequeno mas assim não aconteceu... Talvez porque a alma sofrendo também cresce e ganha resistência? Se a alegria é composta pelos curtos momentos da vida, porque não conseguimos viver apenas com as belas recordações?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Todos diferentes



Caio, levanto-me, caminho. Caio, levanto-me, caminho. Perscruto nos olhos de transeuntes. Todos iguais, todos diferentes. Cansado do poder do ver... Triste de não poder  ler, os livros de histórias felizes e não as fábulas de como se destroem países, de como os ódios são cedentes, de como as nascentes dos rios formam as lágrimas dos inocentes! Como a hipocrisia ganha a fama da cura  nos humanos que já não têm cura. Como a inveja e ira possuem as mentes, como abismo de estupidez atrai os nossos entes.   Oh gentes!!!

Caio, levanto-me, caminho... Caio, levanto-me, caminho! Todos iguais?  Não! Somos todos diferentes.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Dedicado a Omar Khayyãm

 

Omar Khayyãm, Oh venerável!
Eu oiço teu eco dos passados,
Trás séculos, os teus pensamentos, estão a nós cercados.
Em pó caíram os impérios e nunca foram levantados,
        O grande pensador morreu, mas seus pensamentos estão herdados!

(Inspirado pela Maria Clara Maia, escritora e ilustradora) 

 


segunda-feira, 9 de maio de 2011

A Terra Respirava




..... Já estávamos a ver uma espessa escuridão à nossa frente, quando subimos uma rua estreita, em paralelo, deixando para trás os pequenos hotéis rurais e tasquinhas. Aproveitando o último lampião da rua, um velho e formidável bosque, observava a nossa presença com quietude, envolvido na escuridão nocturna.

            Um morcego grande lustrou no ar, atingido pela luz do lampião e rapidamente mergulhou na escuridão do bosque. A fronteira da luz e da escuridão era tão drástica, que quando demos os primeiros passos no escuro, passamos a ter a sensação que estávamos numa outra dimensão, num outro tempo, num outro mundo... Os nossos pés já não sentiam o paralelo duro a gastar as botas, caminhávamos silenciosamente sobre a terra macia. Dava gosto! ... O meu amigo ligou a lanterna. Um raio de luz forte destinou-se pelo caminho à nossa frente, afastando as horrorizadas sombras que fugiam dele, por todo lado. Uma rajada de vento frio passou por mim e infiltrou-se no meio da floresta densa, fazendo as folhas das árvores efervescer ameaçadamente.

- Desliga a luz - disse-lhe eu - estás a perturbar a natureza que está a dormir. Tu tens de te adaptar a ela e não a ela adaptar-se a ti.

            Tivemos de reduzir os nossos passos, enquanto os olhos se habituavam ao escuro, até que por fim deu para perceber que na verdade podíamos ver muita coisa, embora na escuridão as coisas parecessem, totalmente diferentes da realidade. O ar estava muito puro e fresco. A floresta exalava ligeiramente a folha caída e a humidade. Um silêncio mortal estava omnipresente. Parecia que o bosque estava a examinar os seus visitantes. Gigantescos monstros inclinavam-se na nossa direcção tentando-nos agarrar, mas à medida que nos aproximávamos, eles transformavam-se em poderosas árvores. Outros arbustos, mais pequenos, eram os fantasmas que de repente vinham do nada e desapareciam da mesma forma. A inclinação da subida que parecia não ter fim, tornava-se cada vez mais forte, travando o nosso passo, como se houvesse alguém que quisesse que ficássemos nesse reino das sombras para sempre... O meu amigo, abafado e já farto de sentir as emoções, perguntou-me se faltava muito para chegarmos ao nosso destino. Pois quanto, ao destino – nem tínhamos passado a metade do percurso planeado, mas eu acalmei-o, dizendo-lhe que em breve teria um descanso e uma surpresa muito agradável. Ele como a maioria dos humanos não tinha a experiência de caminhar nos bosques, pois sentia-se bastante desorientado e sem saber onde ir, o que era normal e bastante evidente.  

            Finalmente os nossos olhares ficaram espantados pelo luar, que provinha do fundo do nosso estreito caminho, seria fácil imaginar um comboio prestes a sair do túnel. A sacrificial subida ficou para trás, chegamos a uma enorme clareira, toda rodeada de bosque denso, feita uma fortaleza. Eu mandei desviar-se do caminho habitual e caminhar um bocado entre as altas ervas bravas em direcção ao centro da clareira onde dormia um velho e alto carvalho, acariciado pelo luar. Paramos... Então qual será a tua surpresa prometida, exclamou o meu amigo ainda na tentativa de acalmar a sua dispneia. Primeiro tenta acalmar a tua respiração, disse-lhe e depois ouve e observa ao teu redor, não faças barulho e não te mexas sequer. O meu amigo pareceu obedecer ao meu conselho e ficou quieto. Assim, num silêncio mortal, passavam os minutos, ou talvez os segundos ou as horas, já não sei... O tempo parecia mágico! ... Até que em fim, um grito de coruja interrompeu a nossa calma. Ficamos atentos, como ansiosos espectadores num teatro à espera do espectáculo começar. A coruja gritou mais uma vez... A seguir, ouvimos mais uma, do outro lado do bosque. Depois outra e mais outra. O seu misterioso canto vinha de todo lado, de muito perto e das profundezas do bosque. E bastou um grilo começar a cantar, quando milhões dos seus congéneres já se empenhavam para o ajudar, fazendo o ar vibrar, com o seu coro. Os morcegos, aos milhares, dançavam em torno da lua, envolvidos pelo bliss da melodia natural. De vez em quando, o ouvido captava o zumbido dos besouros nocturnos, que viajavam sabe-se lá para onde. O inebriante cheiro da diversidade das ervas e flores provocava, permanecer no mesmo lugar até de manhã, sem se lembrar de nada. Um coelhinho salteou junto de nós e desapareceu pelo meio das ervas altas. O azul das estrelas parecia tocar nos nossos ombros. As estrelas, hoje, pareciam tão grandes como uma vez na minha infância... Eu virei a minha orelha em direcção ao solo para ouvir – a terra respirava! ...

            De longe, onde acabava o bosque, ouviu-se um barulho dos cães a ladrar. Se calhar, sentiram a minha presença... Eu chamei, pelo meu amigo que estava a olhar para o céu fixamente, hipnotizado pela melodia natural e divina. Vamos! Ainda temos muito que caminhar e muitas surpresas para ver! …..
               

***

Tu pensas que os meus versos são alegoria sem a verdade?
Pois, digo-te que não!
Os meus pensamentos são perversos,
E tudo que escrevo é pura realidade...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A Tempestade em Maio


 

De novo vieram os dias dos ventos quentes. Os dias de grandes alegrias e tristezas. Estou a caminhar pela amarela e fresca areia marinha, observando como as ondas geladas deslizam pelos meus pés, devolvendo-se ao mar. Quero levantar a cabeça e ver como as ondas do poderoso oceano desaparecem no horizonte, mas não consigo e tenho medo! ...

Tenho medo que a dor se torne ainda mais forte. Cada vez que olho para essas águas escuras, sem fim e horizonte, vejo os teus olhos: grandes e escuros, tal como essas águas. Quero afogar-me neles sabendo que tal é impossível, pois estás tão longe de mim! ... O vento primaveril sopra na minha cara, relembrando-me a ternura do teu cheiro e eu já não consigo olhar mais para baixo, junto todas as forças e olho para a longitude oceânica… Já não oiço a realidade, apenas o vento forte assobia nos meus ouvidos. O infinito dos teus olhos índigo está omnipresente. Com um olhar firme, observo esse infinito, recordando os escassos momentos que conseguimos viver. As nuvens no céu estão cada vez mais espessas, a sua cor antes cinzenta, transforma-se em negra. Um forte trovão estremece o oceano, rachando o céu com os relâmpagos de uma ponta a outra. A tua imagem dissipa-se no meio das ondas, que já se tornaram loucas. Eu estico o meu braço para tentar agarrar-te, mas compreendo que é impossível, caio ajoelhado em frente às ondas. Quero chamar por ti, mas já não tenho força. Forte aguaceiro lava as lágrimas, que escorrem pela minha cara fria e sem expressão. Dizem que os homens não choram! ... Então, porque choro eu?



As minhas mãos estão tão cansadas escrever do Amor...


terça-feira, 26 de abril de 2011

Mystery poem



No caminho que mil vezes passei - hoje estou perdido,
Por mais fortalezas que construa, frente a minha alma estou desprotegido,
Milhares de vezes, caminhando, caí e me levantei,
Mas nas garras da alma o espírito não tem resistido...

E por mais altos céus que visite não deixarei de me sentir "caído",
A escuridão na alma aos demónios mostrei,
E todos como um disseram - estou surpreendido!
À frente do meu anjo me ajoelhei, mas a resposta foi um silêncio ouvido...

E tenho medo que depois da morte não me morra e seguirei a mourejar perdido... 



sexta-feira, 22 de abril de 2011

M. Estranho-me...




Estranho-me sonhar do impossível,
Estranho-me querer ler aquilo que não é legível,
Estranho-me voltar quando já é irrevogável,
Estranho-me continuar a viver quando a morte para mim é aceitável,

Estranho-me saber amar, quando ser amado pouco é provável,
Estranho-me julgar, que dar, sem receber em troca é amável,
Estranho-me poder gostar, daquele, que tu achas miserável,
Estranho-me não odiar, quando parece o ódio inevitável,

Estranho-me acreditar no ser humano como ser afável,
Estranho-me a respeitar o bem e o mal sabendo que nenhum nem outro é fiável,
Estranho-me ter a vontade de ensinar compreendendo que o próprio saber é lamentável,
Estranho-me da minha impotência em mudar na sequência do mundo implacável...

Estranho e admiro o teu poder de me  inspirar...


terça-feira, 5 de abril de 2011

Caminhada com Anjo


Olá. Hoje quero convidar-te para uma breve caminhada pelo centro da cidade de Braga. Não vamos conversar absolutamente de nada, apenas caminhar. Não vale a pena preocupares-te com as dúvidas e perguntas que surgem agora na tua cabeça, rapidamente vais perceber o porquê das coisas.

Cinco de Abril. As horas impiedosamente atingem as oito da tarde. Nós, envolvidos na companhia do vento quente, aproximamo-nos da Arcada, trespassando com os nossos olhares o lago do chafariz que está desligado e onde o vento desenha as engraçadas figuras nas suas águas. Deixando o chafariz atrás, seguimos a Avenida Central a passo lento, apreciando na longitude a beleza das igrejas do Bom Jesus e Sameiro mergulhadas no mato selvagem. A ternura crepuscular já abraça a cidade, mas o céu ainda continua azul sem mostrar as estrelas. Eu levanto a cabeça e demoradamente observo o ousado silêncio da lua nova que se apressou a ocupar o seu lugar pelas alturas celestiais, ouvindo o monólogo do sol que desliza para baixo das montanhas que rodeiam Braga. Tu, na curiosidade, fazes o mesmo.

 A deliciosa calma que a cidade tinha foi esquecida no percurso do nosso caminho. Toda a agitação e o barulho agora concentram-se nas estradas e nos passeios que fazem atalhos. A multidão precipita-se para acabar com este dia, maravilhoso e sólido, que não quer ir embora. Hoje tu e eu temos sorte. Essa calma toda é apenas para nós... Tu sentes a respiração da grama verde ao nosso redor, apetece-te deitar nela, mas continuas a seguir-me. Estamos invocados pelo pequeno parque das árvores que nos espera a escassos metros à frente.

Encostamos as nossas costas no musgo duma enorme e grossa árvore. O musgo é muito fofo e tu sentes as tuas costas quentes e protegidas. Observas tudo o que se passa à tua volta. Uma imponente sensação de paz ocupa cada lugar da tua alma infinita. O vento, hoje muito contente e malandrote, exibe-nos o seu poder, voando a grande velocidade em várias direcções a busca de cheiros para a nossa apreciação. Dá a sensação que estamos numa casa de vinhos a experimentar as diferentes marcas de sabor divino. O vento incansavelmente empresta-nos novos e novos sabores que o mês Abril em pouco tempo tinha vindimado. Cheiro de rosas, arbustos a florescer, as tílias, as ervas... De vez em quando incomoda os nossos narizes do cheiro do fumo dos carros, como quem diz, "isto também vos pertence..."
Eu viro a minha cabeça na tua direcção, obrigando-te a cruzar o teu olhar com o meu. Pouco a pouco tu afundas-te no abismo dos meus olhos castanhos. Mais... e mais... e mais... até que acabas por fechar os teus. Tudo o que se passa à volta pára de existir. A última imagem captada pelos teus olhos arruína-se em vão e começa o infinito. Sensação de voo e euforia pura... E nada mais importa....

Quando abres os teus olhos, eu já não estou contigo, o vento levou-me. E cada vez que te fartares de viver eu estarei contigo a demonstrar como a vida é bela e acompanhar até o caminho certo.

Abraço-te e até a próxima....

sábado, 2 de abril de 2011

Pensando a rimar






Eu nunca fui um anjo...
E nem se quer o podia ser.
Mas ao contrario de muitos outros
Nunca fingi um anjo ser,
                  E só por isso o poderia ser.

Tolos são aqueles
Que anjos querem parecer!
Apenas ganham a batalha
Mas a guerra não irão vencer...

Os anjos são colegial divino,
O ser humano é apenas - ser,
Não te esqueças disto e não sejas um cretino,
E um dia a humanidade parva vai achar
                             Que foste um grande ser...





sábado, 26 de março de 2011

Falando de amor...




Falando de amor somos todos poetas,
Bracarenses ou lisboetas, todos poetas,
Da alegria e da dor as nossas almas são repletas,
E falando de amor as palavras formaram as letras!

E quantas foram ditas com pudor,
Palavras, amo-te, tu és  o meu amor.
E quantas ficam sem resposta?
E a seguir o que vem? A dor...
 
Numa conversa dessas, com amigo meu,
Eu disse-lhe - o  tempo vai curar a dor no corpo teu,
Se calhar mil anos chegam - ele respondeu,
Mas que me servem os setenta, os máximos dos mais que tenho eu?

                                                                  Dedicado à um dos amigos da alma...












Pensamento

A vida por vezes castiga... Pagamos os erros que cometemos? Até mesmo quando a razão for nossa, isso não quer dizer que os outros fiquem convencidos do mesmo... Mas o que é vida a final? Mesmo que tudo esteja perfeito, os problemas aparecem do nada. A linha branca nunca continua eternamente... Dilema? Não...

Levo a vida no meu rumo o máximo possível! Mas fazer como eu quero provoca imensos obstáculos para ultrapassar, e não há certeza se serei capaz... Mas tenho a certeza de que continuarei a seguir o meu caminho, seja  o que for que acontecer... Aventureirismo? Talvez... Mas apenas assim eu consigo sentir-me vivo, apenas assim não adormeço. O vento frio na cara e o sabor do próprio sangue perdido é que me fazem viver... E não tenho pena de sofrer por algo que fiz ou farei ainda, nem nunca terei.

Mas tenho pena quando os entes queridos por mim sofrem das minhas consequências....

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Cada noite à tua espera, cara Nix...




Entre as sombras do horizonte o pôr do sol estendeu a ponte...
Pisando graciosamente, chegas tu, amiga, rainha das estrelas,
Perfeita, eternamente linda, vestida do manto das trevas,
Pintora louca genial, os meus sonhos são as tuas telas.

Afunda-me no sono da tua escuridão abraço forte.
Tu hoje vais pintar, preparas tinta e pões tela no suporte.
Eu vou sonhar a tua obra, atordoado pela doçura dos néctares
De eu pedir e tu realizares, de eu duvidar e tu provares!

Nos meus sonhos,qualquer desejo meu tu podes alcançar,
Mas entristece-me apenas um dilema - porque a noite tem de acabar?
Impiedosa madrugada as nossas obras vai queimar.
Terei de acordar, mas sei! Com o pôr do sol, a Deusa da Noite vai voltar...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Nos versos vive meu alivio


Eu ponho nos versos pensamentos diversos,
O gérmen que cresce da lama

Transformo em palavras no papel extensas!
Lindas... Profundas... Tristes... Intensas...

Tu lês. Demoradamente pensas.
Por vezes deixas-te levar, viajas, à procura do proveito
Pelos caminhos do meu universo imperfeito.
Por trás dos elogios resumes - não tem jeito.

Perguntas-me, então, porque escrevo?
Apenas para ti, ocultamente, responder me atrevo.
No meu interior há um demónio que levo,
É ele que pede que escreva...

Nos meus vales ele localmente dança,
Gerando fúrias do fogo suprime minha esperança,
Mata minha alma, queima, e cinzas pelo vento lança,
Seguindo ressuscita-me de novo e com destruição avança.

Nos versos vive meu alivio.
Ouvindo-os, demónio obtém a calma.
Quando escrevo, florescem cerejeiras nos jardins.
Riachos vão verdejar os vales decorando a alma...