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sexta-feira, 29 de abril de 2011

A Tempestade em Maio


 

De novo vieram os dias dos ventos quentes. Os dias de grandes alegrias e tristezas. Estou a caminhar pela amarela e fresca areia marinha, observando como as ondas geladas deslizam pelos meus pés, devolvendo-se ao mar. Quero levantar a cabeça e ver como as ondas do poderoso oceano desaparecem no horizonte, mas não consigo e tenho medo! ...

Tenho medo que a dor se torne ainda mais forte. Cada vez que olho para essas águas escuras, sem fim e horizonte, vejo os teus olhos: grandes e escuros, tal como essas águas. Quero afogar-me neles sabendo que tal é impossível, pois estás tão longe de mim! ... O vento primaveril sopra na minha cara, relembrando-me a ternura do teu cheiro e eu já não consigo olhar mais para baixo, junto todas as forças e olho para a longitude oceânica… Já não oiço a realidade, apenas o vento forte assobia nos meus ouvidos. O infinito dos teus olhos índigo está omnipresente. Com um olhar firme, observo esse infinito, recordando os escassos momentos que conseguimos viver. As nuvens no céu estão cada vez mais espessas, a sua cor antes cinzenta, transforma-se em negra. Um forte trovão estremece o oceano, rachando o céu com os relâmpagos de uma ponta a outra. A tua imagem dissipa-se no meio das ondas, que já se tornaram loucas. Eu estico o meu braço para tentar agarrar-te, mas compreendo que é impossível, caio ajoelhado em frente às ondas. Quero chamar por ti, mas já não tenho força. Forte aguaceiro lava as lágrimas, que escorrem pela minha cara fria e sem expressão. Dizem que os homens não choram! ... Então, porque choro eu?



As minhas mãos estão tão cansadas escrever do Amor...


terça-feira, 26 de abril de 2011

Mystery poem



No caminho que mil vezes passei - hoje estou perdido,
Por mais fortalezas que construa, frente a minha alma estou desprotegido,
Milhares de vezes, caminhando, caí e me levantei,
Mas nas garras da alma o espírito não tem resistido...

E por mais altos céus que visite não deixarei de me sentir "caído",
A escuridão na alma aos demónios mostrei,
E todos como um disseram - estou surpreendido!
À frente do meu anjo me ajoelhei, mas a resposta foi um silêncio ouvido...

E tenho medo que depois da morte não me morra e seguirei a mourejar perdido... 



sexta-feira, 22 de abril de 2011

M. Estranho-me...




Estranho-me sonhar do impossível,
Estranho-me querer ler aquilo que não é legível,
Estranho-me voltar quando já é irrevogável,
Estranho-me continuar a viver quando a morte para mim é aceitável,

Estranho-me saber amar, quando ser amado pouco é provável,
Estranho-me julgar, que dar, sem receber em troca é amável,
Estranho-me poder gostar, daquele, que tu achas miserável,
Estranho-me não odiar, quando parece o ódio inevitável,

Estranho-me acreditar no ser humano como ser afável,
Estranho-me a respeitar o bem e o mal sabendo que nenhum nem outro é fiável,
Estranho-me ter a vontade de ensinar compreendendo que o próprio saber é lamentável,
Estranho-me da minha impotência em mudar na sequência do mundo implacável...

Estranho e admiro o teu poder de me  inspirar...


terça-feira, 5 de abril de 2011

Caminhada com Anjo


Olá. Hoje quero convidar-te para uma breve caminhada pelo centro da cidade de Braga. Não vamos conversar absolutamente de nada, apenas caminhar. Não vale a pena preocupares-te com as dúvidas e perguntas que surgem agora na tua cabeça, rapidamente vais perceber o porquê das coisas.

Cinco de Abril. As horas impiedosamente atingem as oito da tarde. Nós, envolvidos na companhia do vento quente, aproximamo-nos da Arcada, trespassando com os nossos olhares o lago do chafariz que está desligado e onde o vento desenha as engraçadas figuras nas suas águas. Deixando o chafariz atrás, seguimos a Avenida Central a passo lento, apreciando na longitude a beleza das igrejas do Bom Jesus e Sameiro mergulhadas no mato selvagem. A ternura crepuscular já abraça a cidade, mas o céu ainda continua azul sem mostrar as estrelas. Eu levanto a cabeça e demoradamente observo o ousado silêncio da lua nova que se apressou a ocupar o seu lugar pelas alturas celestiais, ouvindo o monólogo do sol que desliza para baixo das montanhas que rodeiam Braga. Tu, na curiosidade, fazes o mesmo.

 A deliciosa calma que a cidade tinha foi esquecida no percurso do nosso caminho. Toda a agitação e o barulho agora concentram-se nas estradas e nos passeios que fazem atalhos. A multidão precipita-se para acabar com este dia, maravilhoso e sólido, que não quer ir embora. Hoje tu e eu temos sorte. Essa calma toda é apenas para nós... Tu sentes a respiração da grama verde ao nosso redor, apetece-te deitar nela, mas continuas a seguir-me. Estamos invocados pelo pequeno parque das árvores que nos espera a escassos metros à frente.

Encostamos as nossas costas no musgo duma enorme e grossa árvore. O musgo é muito fofo e tu sentes as tuas costas quentes e protegidas. Observas tudo o que se passa à tua volta. Uma imponente sensação de paz ocupa cada lugar da tua alma infinita. O vento, hoje muito contente e malandrote, exibe-nos o seu poder, voando a grande velocidade em várias direcções a busca de cheiros para a nossa apreciação. Dá a sensação que estamos numa casa de vinhos a experimentar as diferentes marcas de sabor divino. O vento incansavelmente empresta-nos novos e novos sabores que o mês Abril em pouco tempo tinha vindimado. Cheiro de rosas, arbustos a florescer, as tílias, as ervas... De vez em quando incomoda os nossos narizes do cheiro do fumo dos carros, como quem diz, "isto também vos pertence..."
Eu viro a minha cabeça na tua direcção, obrigando-te a cruzar o teu olhar com o meu. Pouco a pouco tu afundas-te no abismo dos meus olhos castanhos. Mais... e mais... e mais... até que acabas por fechar os teus. Tudo o que se passa à volta pára de existir. A última imagem captada pelos teus olhos arruína-se em vão e começa o infinito. Sensação de voo e euforia pura... E nada mais importa....

Quando abres os teus olhos, eu já não estou contigo, o vento levou-me. E cada vez que te fartares de viver eu estarei contigo a demonstrar como a vida é bela e acompanhar até o caminho certo.

Abraço-te e até a próxima....

sábado, 2 de abril de 2011

Pensando a rimar






Eu nunca fui um anjo...
E nem se quer o podia ser.
Mas ao contrario de muitos outros
Nunca fingi um anjo ser,
                  E só por isso o poderia ser.

Tolos são aqueles
Que anjos querem parecer!
Apenas ganham a batalha
Mas a guerra não irão vencer...

Os anjos são colegial divino,
O ser humano é apenas - ser,
Não te esqueças disto e não sejas um cretino,
E um dia a humanidade parva vai achar
                             Que foste um grande ser...





sábado, 26 de março de 2011

Falando de amor...




Falando de amor somos todos poetas,
Bracarenses ou lisboetas, todos poetas,
Da alegria e da dor as nossas almas são repletas,
E falando de amor as palavras formaram as letras!

E quantas foram ditas com pudor,
Palavras, amo-te, tu és  o meu amor.
E quantas ficam sem resposta?
E a seguir o que vem? A dor...
 
Numa conversa dessas, com amigo meu,
Eu disse-lhe - o  tempo vai curar a dor no corpo teu,
Se calhar mil anos chegam - ele respondeu,
Mas que me servem os setenta, os máximos dos mais que tenho eu?

                                                                  Dedicado à um dos amigos da alma...












Pensamento

A vida por vezes castiga... Pagamos os erros que cometemos? Até mesmo quando a razão for nossa, isso não quer dizer que os outros fiquem convencidos do mesmo... Mas o que é vida a final? Mesmo que tudo esteja perfeito, os problemas aparecem do nada. A linha branca nunca continua eternamente... Dilema? Não...

Levo a vida no meu rumo o máximo possível! Mas fazer como eu quero provoca imensos obstáculos para ultrapassar, e não há certeza se serei capaz... Mas tenho a certeza de que continuarei a seguir o meu caminho, seja  o que for que acontecer... Aventureirismo? Talvez... Mas apenas assim eu consigo sentir-me vivo, apenas assim não adormeço. O vento frio na cara e o sabor do próprio sangue perdido é que me fazem viver... E não tenho pena de sofrer por algo que fiz ou farei ainda, nem nunca terei.

Mas tenho pena quando os entes queridos por mim sofrem das minhas consequências....

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dor




Inesperadamente veio a dor,
Cercado pelas sombras do meu espírito em redor.
Entrelaçamos os olhares loucos num combate com esplendor,
O meu espírito é imbatível mas o mesmo tem a minha dor... 


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Cada noite à tua espera, cara Nix...




Entre as sombras do horizonte o pôr do sol estendeu a ponte...
Pisando graciosamente, chegas tu, amiga, rainha das estrelas,
Perfeita, eternamente linda, vestida do manto das trevas,
Pintora louca genial, os meus sonhos são as tuas telas.

Afunda-me no sono da tua escuridão abraço forte.
Tu hoje vais pintar, preparas tinta e pões tela no suporte.
Eu vou sonhar a tua obra, atordoado pela doçura dos néctares
De eu pedir e tu realizares, de eu duvidar e tu provares!

Nos meus sonhos,qualquer desejo meu tu podes alcançar,
Mas entristece-me apenas um dilema - porque a noite tem de acabar?
Impiedosa madrugada as nossas obras vai queimar.
Terei de acordar, mas sei! Com o pôr do sol, a Deusa da Noite vai voltar...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Nos mortuários do Douro




Eu via, a chuva molhava o rio.
Tão doce nos lábios o ósculo do vento vadio.
Oh lindo, magico Douro nunca te conhecia!
Aquele dia a minha alma nas tuas águas adormecia,
                                                        Nada sentia...











segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Nos versos vive meu alivio


Eu ponho nos versos pensamentos diversos,
O gérmen que cresce da lama

Transformo em palavras no papel extensas!
Lindas... Profundas... Tristes... Intensas...

Tu lês. Demoradamente pensas.
Por vezes deixas-te levar, viajas, à procura do proveito
Pelos caminhos do meu universo imperfeito.
Por trás dos elogios resumes - não tem jeito.

Perguntas-me, então, porque escrevo?
Apenas para ti, ocultamente, responder me atrevo.
No meu interior há um demónio que levo,
É ele que pede que escreva...

Nos meus vales ele localmente dança,
Gerando fúrias do fogo suprime minha esperança,
Mata minha alma, queima, e cinzas pelo vento lança,
Seguindo ressuscita-me de novo e com destruição avança.

Nos versos vive meu alivio.
Ouvindo-os, demónio obtém a calma.
Quando escrevo, florescem cerejeiras nos jardins.
Riachos vão verdejar os vales decorando a alma...


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Dialogo

- Stanislav Nosov 28/1 às 23:57 
A partir de 2007 não escreveu mais porque?


- Miguel Gusmão 29/1 às 0:35 
"desencontros", tempo interior menos propício ao plamar do verbo na página em branco, alguma preguiça, e falta de musa... tudo desculpas que poderia invocar, mas que são sempre... desculpas.
Um abraço


- Stanislav Nosov 29/1 às 11:47 
Eu diria que as circunstancias aviam de ter peso para um poeta escrever... A rotina quotidiana é demasiado insignificante para uma personalidade que escreva as palavras "Vida, Amor, Natureza" com a letra maiúscula. Obrigatoriamente tem de ser pisado e esmagado pela negligencia humana, sufocado e insultado num beco sem saída onde a sua mente começara a produzir perguntas sem obter resposta, até que em fim a sua alma dará um grito e a mão começara a por as letras no papel sem saber porque o fará, mas por fim encontrara alivio... 
Eu exijo que escreve!
Abraço do norte... 


- Miguel Gusmão 30/1 às 13:33  
Entendeu na perfeição.
Vou conjurar as musas e ver se consigo que arrebatam o meu espírito para poder voltar a tecer com palavras a urdidura dos meus sentires.
Abraço do Sul

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

M. Ano 2011 Poema






                     *****

Na alma cinzenta e sem horizonte, 
Plena de nuvens da ponta a ponta,
Lá onde as chuvas festejam tristeza,
Chora meu eu oculto na profundeza,

Como parar tempestade eterna?
A vida sem ti é um pé no inferno.
A tua presença ilumina-me alma,
Manda chuva embora e devolve a calma.

Folheio momentos das alegrias contigo,
Lembro lindos passeios, teus olhos índigo,
Lembro a noite, quando no meu peito dormias, 
Lembro cabelos hermosos, lembro como sorrias.

Paro pensar, e o sol vai embora.
Dança a chuva com o trovão
Na escuridão perturbadora.
Minha alma chora, quando tu vais embora... 

Vagueio cansado procurando alivio
Nas vozes do fado, poemas, idìlio.
A porta da alma espero a tua,
Tu és minha ponte da terra a lua...

                                  P.S. - Amo-te....

Stanislav Nosov 




domingo, 9 de janeiro de 2011

Que te diz o vento que passa?




Eu falo com vento, falo com água, falo com terra, árvores, o fogo, as ervas e eles dizem-me, dizem-me muito mais que os humanos... 

domingo, 12 de dezembro de 2010

Aos Seus Pensamentos Dedico... Conto 2010


Aos seus pensamentos dedico...

Personagens:
1.      Irmã Vénus - Ferreira. 23 anos.
2.      Viviano - Polícia P.S.P. 42 anos
3.      Bahia - Trolha. 36 anos.
4.      Agda - Estudante. 20 anos.
5.      Adónis - Estudante. 17 anos.
6.      Marta - Velhota. 65 anos.
7.      Ágata - Criança. 12 anos.
8.      Espírito Santo
9.      Lúcifer

         Este conto teve lugar em Fátima nos finais de Agosto.
         Poucas horas restavam para acabar o dia, mas o sol ainda deslumbrava a brancura do majestoso monumento de Fé humana. Não era um dia de grande agitação, apenas o vento frio voava de um lado para outro embaraçando escassas pessoas que circulavam pela praça. A noite já esperava, ansiosamente, atrás do horizonte para tudo possuir com suas mãos.
         Os sinos da igreja bateram sete vezes. Acabara a missa espanhola na “capelinha”. As pessoas saíam pouco a pouco, trazendo uma expressão humilde nos seus rostos. A irmã Vénus, insatisfeita, pois apenas pôde assistir a metade da missa na sua língua nativa, por causa da chegada tardia do seu autocarro, apressou-se a subir as escadas da igreja de Fátima, onde ia começar outra missa em português.
         Irmã Vénus era uma mulher nova, de estatura alta e delicada. Uns cachos do seu cabelo loiro, soltos pelo vento, descaíam pelo belo rosto dela, acariciando a sua pele pálida. Os olhos verde-escuro paravam pensamentos de qualquer um que deparava com  o meigo olhar dela. As roupas brancas, que a cobriam da cabeça aos pés, eram totalmente incapazes de esconder a perfeição do seu corpo. A pura linha da beleza espanhola revelava-se em cada movimento dela.
         Embora já tivesse chegado muita gente à igreja, a missa ainda não tinha começado. O Espírito Santo flutuava no ar, por baixo do teto, observando tudo o que se passava.
         Finalmente chegaram três padres. Preguiçosamente, pousaram as suas cadeiras em frente ao altar e começaram a preparar as suas coisas para seguir o devido... A  mulher do coro, que tinha chegado antes dos padres, esperava pacientemente para poder começar a cantar.
Quando tudo estava preparado, um dos padres deu uma entrada de palavras e definiu o tema da missa. Depois, todos se sentaram e a mulher começou a cantar.
         Um grandioso acapelo de um soprano, estremeceu o imponente silêncio da igreja. Todos ouviam. Entretanto na porta direita da igreja apareceu uma sombra estranha. Entrou, e depressa gatinhou até ao outro lado da igreja. Encostou-se à pia com a água benta usando a mesma como um suporte. Era o Lúcifer...

O Espírito Santo, surpreendido por tal audácia, desceu para a beira dele.
Espírito
-      Tu que raio fazes aqui? Seu sacana!
Lúcifer
-      Pois já faz anos que não vou à missa, meu irmão...

Espírito
-      Não sejas tão jocoso, diz lá para que é que chegaste!
Lúcifer
-      Tu sabes bem para quê. Faz séculos que ando eu atrás do mesmo. Eu quero almas!
Espírito
-      Aqui não há nenhuma para ti!
Lúcifer
-      Humm... A mim cheirou-me outra coisa... Ficamos a ler, os dois, os pensamentos dos humanos. Se me provares o contrário não levarei nenhuma...
Espírito
-      Está bem, assim será. Também estou curioso, eu...
         A mulher acabou de cantar. Os padres levantaram-se, a seguir a eles levantou-se o público também. Começaram a rezar o Pai Nosso. Um dos padres falava e as pessoas repetiam atrás dele com obediência.
         O Espírito e Lúcifer aproximaram-se da Irmã Vénus. Ela estava ajoelhada no meio dos bancos com as mãos juntas frente ao peito, fixando o seu olhar no crucifixo de Jesus que se situava atrás do altar.
         Irmã Vénus pensando.
Este jovem ao meu lado tem um cheiro mesmo agradável e é tão lindo.. Não aguento mais olhar para essa cruz!
Quero apreciar-te meu anjo. Era tão bom se não estivesse cá ninguém, assim podias confessar-me...
Vou inclinar-me um pouco para traz para vê-lo de lado. Todos pensam que estou a rezar, ninguém repara em nada...
         Vénus inclina-se para traz e põe os olhos o mais de lado possível para observar a figura de Adónis.
         Adónis, apesar do seu metro e oitenta e sete de altura, tinha um corpo muito bem composto. Os seus ombros largos diziam que praticava algum desporto... Levava umas calças justas de cor cinzenta, as quais sublinhavam com alta delicadeza cada pormenor onde estivesse o tecido a tocar no seu corpo. Os chinelos nos seus pés também descreviam um certo estilo de espírito leve desse jovem. Por cima levava uma camisola branca, caprichosamente desenhada de várias linhas e figuras abstratas e com um decote largo mostrava o relevo do musculoso peito de Adónis, o que perturbava imenso a mente da Irmã Vénus.
         Irmã Vénus pensando.
Meu Deus que lindo homem, não aguento mais!...
Que raiva! Não percebo a mim própria! Que diabo me puxou para ser a serva de Deus? Podia estar na praia com esse espécie de macho. Chega, para mim acabou! Esta será a minha última missa!                  
         O Lúcifer e o Espírito trocam os olhares um com outro.
Lúcifer
-      E então, amigo?

Espírito
-      O que é que tu queres, pá? Já imaginaste, a ti próprio com este castigo?
         Após outra troca de olhares riram-se os dois às gargalhadas.

         Adónis pensando.
         Que raios! Nunca mais acaba essa missa, faltam quarenta e cinco minutos até ao jantar, parece uma eternidade. Ainda bem que lanchamos às seis horas, senão acho que não aguentava até ao jantar. Por acaso aquelas moelinhas com picante e pão de trigo foram bem aceites pela minha barriga. Para além dos três pratos que comi, bem comia outros três, era mesmo saboroso!
Mas não faz mal. Deus queira aguento até ao jantar. Aí é que vou gozar a vida ao máximo. O pai paga, que se lixe. Vou pedir um bife com cogumelos e muita batata frita. E se calhar uma garrafa de vinho maduro para nós dois não fará mal nenhum. Depois vai ser uma sopinha cheia, acompanhada por bastante pão de milho. Para encher o papo, uma salada de fruta e um café no fim. Espera, lá em casa ficou um gelado na arca. Quando chegar terei de o condenar à morte também.
Fogo! Essa vontade de comer está mesmo a apertar! Uma coca-cola saberia mesmo bem agora... Para refrescar pelo menos. Que missa tão longa e triste...
Mas uma coisa agrada-me: no fim da missa vou receber a hóstia … não é muito, mas é sempre um aperitivo antes de jantar.
         O Lúcifer manda um risinho para o Espírito, franzindo os seus olhos vermelhos.
Espírito
-      Infelizmente isso existe...

Lúcifer
-      Esse não levo! Fica tu com ele. Que rapaz nojento. Ainda come o inferno...
         Os padres acabaram de rezar o Pai Nosso e a mulher corista tornou a cantar. Todos  se sentaram.

Lúcifer
-      Olha, vamos ver aquele bigode. Está com uma cara que até a mim mete impressão.
Espírito
-      A cara pode não ser o critério determinante, colega, mas se tu insistes...
         O Viviano era um polícia de trânsito. Nem alto nem baixo, nem magro nem gordo, nada atraía a atenção no visual dele. O único pormenor mais notável era o seu bigode e os seus olhos pretos que brilhavam com a ira debaixo das suas sobrancelhas, demonstrando o seu interior corrompido.
         Viviano pensando.
O cabrão desse padre manda sentar, manda levantar! A ver se tu escorregas e partes uma perna, seu porco! Assim ficávamos todos sentados...
         Uma velhota que estava sentada ao lado de Viviano, sem querer, atingiu-o com seu cotovelo.
Velhota
-      Peço desculpa, meu filho, foi mesmo sem querer.
Viviano
-      Não tem mal, minha senhora, esteja tranquila.
         Viviano pensando.
Nem sabe estar quieta no sítio, sua vaca fedorenta. Nunca mais te chega o enfarte cardíaco!
Ora bem, vamos ver quem é que chegou cá hoje...
Olha ali aquele herói, que tanto apreciava com os seus desenvergonhados olhos a minha mulher, quando estávamos na fila do supermercado. Espera aí otário, quando acabar a missa, vou atrás de ti para saber já a matrícula do teu carro. Vais pagar multas todos os dias. Isso arranjo-te com facilidade, vais ver, seu animal! A minha posição oficial permite tanta coisa... Essa gentinha mal corajosa quando vê um homem fardado, até treme. Amanhã vou para a estrada e vou lixar a vida para mais uns quantos, hehehe.... Gostar do trabalho que fazes, o que pode ser melhor? hehehe
Espírito
-      Esse parece-se muito contigo, colega...
Lúcifer
-      Não digas isso, eu não sou assim!

         A velhota que estava sentada ao lado de Viviano chamava-se Marta. Era baixinha e gorducha. Tinha a cara redonda e vermelha, fazia lembrar um tomate. Entre os olhos grandes, que pareciam cerejas pretas, situava-se uma batata grande, que, se calhar, deveria representar o nariz. Mas não prestando atenção a alguns pormenores - desse jardim ambulante até estava bem arranjadinha. A sua cabeça cobria-se com um lenço de seda verde, desenhado com flores de girassol. Suas unhas ainda cheiravam a laca, a qual foi posta num dos mais caros salões de beleza de Fátima. O seu corpo, que parecia uma carcaça de frango, era agraciado com um vestido de verão de cor verde. No peito levava um pesado broche de prata, decorado com diversas pedras preciosas. No pescoço trazia uma grossa cadeia de ouro com um cólon que levara a fotografia do seu marido, que tinha falecido sobre circunstâncias desconhecidas. A quantidade dos anéis de ouro, se não levasse vários num dedo, era suficiente para ter um em cada dedo nas duas mãos. O fim dessa exposição toda eram as sapatilhas de tacão alto.
         Marta pensando
Oh Santíssima Virgem Maria! A doença da minha irmã mais velha está a progredir muito depressa e assim nesse estado, duvido que lhe restem muitos dias nesta terra. Ajuda-a, por favor, ajuda a que ela escolha dar de herança a sua quinta para mim e não para esses dois gastadores, seus filhos. Não sabem gerir nada. Eu, como já tenho boa experiência da vida, noto logo essa falha. Comigo fica bem guardado e, quem sabe, se um dia o meu filho merecer, farei dele meu herdeiro.
Ainda bem que consegui sentar-me longe da passagem. O chato do padre vai andar a pedir esmolas, como sempre. E eu de moedas só tenho um euro... Nem sonhes que mo vais levar, vou aproveitar para o café, e assim poupo a notinha.
Eh pá... quase me esqueço que estamos chegando ao fim do mês. A estúpida da empregada da casa vai querer cobrar. Tenho urgentemente que inventar algo para lhe cortar no ordenado, é que essa ingénua, ultimamente, não fez asneiras. Não sei o que vou fazer... Pagar o ordenado inteiro esse mês seria demais, ao menos cortava vinte euros para os cafés com as amigas. Já sei! Ao tempo que está um vaso partido no quintal. Vou dizer que foi ela. Genial!

Lúcifer
-      Eu admiro a paciência da Santa Maria...
Espírito
-      Pois, eu também...
         Riram-se os dois durante muito tempo.
         Quando a mulher acabou de cantar, os padres levantaram-se mais uma vez para dar às pessoas uma oração. Por mais que não apetecesse, o público levantou-se também.
Quando acabou a oração os bancos rangeram do peso que foi carregado em cima deles de uma vez só... Um dos padres, começou, monotonamente, a explicar para que servem os capítulos da Bíblia.                           
         O Espírito e Lúcifer passeavam a passo lento pela sala, envolvidos numa conversa qualquer que lhes dava imenso gosto, gesticulavam com as mãos, riam-se e falavam alto...
Lúcifer
-      Espera aí,  pá! Olha-me esse anjinho. Vamos prestar um tempinho a essa bela flor.
Espírito
-      Chama-se Ágata, não achas um lindo nome? Vai à missa com os seus avós todos os fins de semana...

         Ágata era uma miúda muito mexida, cheia de ideais próprias. O seu cabelo loiro chegava-lhe à cintura. As bochechas estavam sempre coradas. Grandes olhos azuis, que pestanejavam casualmente, formavam um olhar humilde, o que dificultava imenso recusar qualquer desejo dela. Isso notava-se muito nas roupas da  Ágata. Os pais tiravam o último da carteira para favorecer a sua joia. Desde as sandálias até à mochilinha, tudo correspondia ao último grito da moda infantil.                     
Avó da Ágata
-      Olha minha fada, a vovó hoje está muito cansada, deve ser por causa da sua tensão alta. Mas amanhã temos gente em casa e preciso muito da tua ajuda para arrumar a sala.
Ágata
-      Não,  avô, hoje não! Eu também estou cansadíssima, quero ir para casa. Já passei muito contigo hoje.
Avô
-      Va lá, minha fada, ajuda a vovó está doentinha...
 Ágata
-      Não! Nem insistas porque não vou! Pede antes ao avô que te ajude. Ele não tem nada para fazer.
Avô
-      Tu sabes bem que o avô tem dores nas pernas e não pode ajudar.
Ágata
-      Eu quero lá saber das dores dele, eu também tenho as minhas!

-      Está bem, disse a avó pacientemente e suspirou.
         Ágata pensando.
Fogo, esses velhos estão sempre a queixar-se de algo! A avó está maluca. Arrumar a casa num Domingo, fogo! Tem três vezes o meu tamanho e quer que eu faça tudo por ela. E o velho sempre a fugir por causa da dor das suas pernas. “Traz-me isso, traz aquilo, eu não aguento”. Quando quer ir à pesca não se queixa das dores.
Tenho tanto para fazer hoje, e devo aturar esses utentes. Às nove tenho de estar na casa da minha amiga Sara para  decidirmos o que vamos vestir para a festa de.....
Lúcifer
-      Olha sabes o que eu vou fazer agora?
Espírito
-      O quê?
Lúcifer
-      Vou aparecer na frente dela com toda a minha personalidade! E vou-lhe dizer alguma coisa!
Espírito
-      Calma, calma pá, não sabes as regras? E não te esqueças que ela ainda é uma criança, a cabeça dela tem pouco raciocínio.
Lúcifer
-      Pois... Desculpa, a razão é tua... É que eu a partir de um momento fiquei assim tão...
Espírito
-      Eu compreendo-te... Anda, deixa-a estar, vamos andando.
         Três bancos à frente estava sentado o Bahia. Era barrigudo e baixinho. O cabelo arrumado para tràs com gel, barba bem barbeada, camisola branca metida dentro das calças de ganga pretas, sapatos pretos laqueados e um boné de jeans na mão. Qual era a razão de trazer um boné, se já tinha arrumado a cabeleira com gel, apenas Deus sabia...
         Bahia pensando.
Porra, o dia está a acabar, amanhã tenho de trabalhar outra vez. Dois dias de fim de semana não chegam para nada. Vou inventar que me dói um dente. Vou à urgência, tiro o recibo, como costume, e o patrão terá de pagar o dia... Já que estou efetivo na firma  não posso trabalhar muito, que trabalhem os outros burrinhos por mim. Amanhã vou dormir bem mais uma vez e depois vou passar o tempo a tomar umas cervejolas no café do Lemos. Por acaso já ao tempo que preciso de tirar uma baixa médica para descansar em condições. Em Setembro tenho quinze dias para gozar as minhas férias. Aproveitarei para tirar a baixa no fim das  férias, assim descanso como deve ser. A minha irmã, que é médica, não me vai recusar esse favor...
Lúcifer
-      Parar muito tempo perto desse é perder tempo. Como me parece ele já fez planos a sua vida...
Espírito
-      Faz favor de passar para a frente colega. O que lhe parece analisarmos essa jovem universitária, o futuro do seu país. Estuda politica.

Lúcifer
-      Estou a ficar intrigado. Com todo o gosto prestarei um bocado do meu tempo a ela.
Ágda possuía uma estatura média, tanto como um metro e sessenta e cinco, não mais. As formas do seu corpo, apesar de serem cheinhas, atraíam o olho. A cintura larga suavemente trespassava para suas costas retas e finas que desabrochavam com os ombros ternos. Lembrava uma flor prestes a florescer. O seu cabelo longo estava arrumado num feixe o qual levava por cima uma rosa vermelha para decorar. A cor da rosa combinava imenso com as roupas claras que vestia, trazendo vida ao seu visual.
         Ágda pensando
Olha, aquela da minha turma também vem à missa essa desgraçada. Mas não te faz falta nenhuma vir. Sempre tens tudo o que tu queres na tua vida. Tem o namorado cheio de dinheiro e bonitão. O papá já lhe comprou um bom carro. Nos estudos tem a sorte de obter  boas notas com facilidade. Não presta para nada mas tem sucesso em tudo! As pessoas como eu, que realmente merecem, são obrigadas a comer as migalhas, enquanto ela come o bolo todo! Não percebo o que o teu namorado encontrou em ti, és feia como uma burra. Ele há de ser meu. Eu já tenho um plano astuto de como obter a predisposição dele. Não pode ser tudo teu amiga, os outros também querem.
Lúcifer
-      Humm...

Espírito
-      Pois... Já não digo nada...
         Os padres já estavam prestes a acabar. Um deles desceu do altar e tomou a posição entre as fileiras dos bancos para dar o Corpo de Deus. As pessoas, pouco a pouco, formaram uma fila para receber a bendita refeição. No ar reinava o estado de paz e sossego.
Lúcifer
-      Bom, eu acho que já vi até dizer chega... Vamos sair daqui, sinto-me sufocado no meio dessa gente toda. Vamos apreciar um bocado o pôr do sol.
Espírito
-      Não queres receber uma hóstia antes de sair?

Lúcifer
-      Poupa-me, brincalhão!
         Saem os dois da igreja e sentam-se no alto das escadas frente à mesma. O Lúcifer fixa o seu olhar nas vermelhas chamas do sol a morrer no crepúsculo.
Lúcifer
-      Há milhares de anos que aprecio o mesmo e não consigo fartar-me. É tão mágico, não achas?
Espírito
-      É, é lindo, sem dúvida... Mas olha, tu hoje não vieste cá para apreciar as belezas. E sei bem que a razão agora é tua. Eu cumpro o que prometi, leva quem tu quiseres.
Lúcifer
-      Não meu irmão, tu preocupas-te em vão, não vou levar ninguém. Estou farto disto tudo. Sabes quantos assim eu tenho lá em baixo? Não dás conta! Porque as pessoas deitam as suas culpas a mim? Roubou?  É o Diabo! Matou? É o Diabo!  Que culpa eu tenho de eles terem a sua alma suja?! Que tenho eu a ver com isso? O Todo Poderoso deu-lhes a mente suficiente para alcançar o que é bom e mal. São eles próprios a escolher o seu caminho.                        
Espírito
-      Eu também sinto nojo... E tenho uma pena grande de que a vida humana seja tão curta. Muitos morrem sem chegar a perceber os erros que fizeram, morrem a pensar que a razão é deles. E aqueles que encontraram o caminho da verdade, morrem, sem chegar à perfeição. É que depois não há caminhos para trás. Isso é muito triste.
Lúcifer
-      Nunca pensei assim como tu pensas. Mas terei em conta, porquê a razão é tua! Agora tenho de ir. De qualquer forma foi um prazer. Até um dia.
Espírito
-      Fica bem! Até um dia.

         O Lúcifer transformou-se numa nuvem preta como o carvão e infiltrou-se numa lacuna no meio das escadas. O Espírito olhou mais uma vez para o sol que se afundava no horizonte, quem sabe em que estava a pensar ele naquele momento? Desapareceu no ar, e com uma rajada de vento quente tocou a praça, depois subiu ate às nuvens e dissipou-se em todas as direções.
De repente tudo ficou quieto, parecia que o tempo parou. O sol desistiu da sua luta e a praça mergulhou na escuridão. Apenas as velas à beira da “capelinha” choravam com a cera, afastando as sombras que as rodeavam de todos os lados... A noite exultava sobre a sua grandeza...


domingo, 21 de novembro de 2010

Para el Lector Poema 2010

К Читателю

Тезаурус мой жалок, а разумение уж подавно,
Но холст бумаги мне сослужит славно,
В простых словах достигну мысли эмпирей,
Чем проще смысл, тем сердцу твоему слышней.

Чтецам дано читать все разумея,
А я лишь раб пера что над бумагой преет.
Тебе читатель изложу я душу,
А ты уж сам не обессудь коль и твоей души покой нарушу.


Tradução para espanhol: 


Para el lector

Mi tesaurus es miserable, y la sabedoria mucho más,
Pero sin embargo, un pedazo del papel me servirá muy bien,
Con palabras simples, iré lograr el empíreo del pensamiento,
Cuanto más simple será el sentido, con mas facilidad tu corazón escuchará.

Al lector culto he delegado leer y comprender lo que lee,
Yo soy sólo un esclavo de la pluma, sudando sobre el papel.
A ti lector explicaré mi alma, y perdóname si con esto también
perturbaré la calma de la alma tuya.

                                                                                                                     Stanislav Nosov 

domingo, 29 de agosto de 2010

Ano 2010. Quadra.

              ******

Китайское сакэ
И португальское вино,
Испанский темперамент,
А льется все оно в одно...


 Tradução para Espanhol

              ******

Saqué chines,
El vino portugués,
Temperamento español,
Pero se derrama todo en uno ...


Stanislav Nosov 

G. Ano 2010. Poema

              *****
                                               В глазах страсть твоих -
Жар в груди моей.
Мной поиграешься
не прикаешься.

Душа чистая,
Все простительнo,
Но игра твоя утомительна.

Брови черные,
Руки нежные,
Тело сладкое,
А сердце снежное...

Tradução para espalhol

              *****

La pasión en tus ojos,
El calor en mi pecho.
Jugaras conmigo y
no te arrepentirás de eso...

Tu alma es pura,
Todo puedo perdonarte,
Pero tu juego es agotador.

Las cejas negras,
Los manos tiernos,
El cuerpo tan dulce,
Y un corazón de nieve ...


Stanislav Nosov 

J. Ano 2009. Poema.

                                                                       *****

Глаза в глаза, на прямоту,
Все разъяснить не в невмоготу,
Делов то вроде так – пустяк
Возьми скажи, коль что не так.

Но нет, молчишь,
Все под веселой маской прячешь чувства,
Улыбкой мучишь губы,
Но в очах твоих грустно.

Хотя, ну чем уж лучше я?
Боюсь сказать, боясь что ляпну зря.

И так, как две планеты мы с тобой,
Мы вроде рядом но каждому дан путь иной,
Тебе меж звезд... А мне сквозь пыль вселенной,
Среди никчемных личных грез,
Взывая к прямоте – моею пленной

Глаза в глаза на прямоту -
Смешно и грустно,
Ведь символ твой Анархия,
А мой Безумство...


Tradução para espanhol

                      *****

Ojos a los ojos, con la franqueza,
Es insoportable explicarlo todo...
Del cierto modo – nada, pequeñeces...
Simplemente dime lo que te perturba.

Pero no, mantienes el silencio.
De bajo de la mascara alegre ocultas sentimientos todos
Torturando los labios con el sonriso,
Pero tus ojos revelan la tristeza.

Pensando bien, que represento yo de lo mejor?
Mi miedo de decir, por miedo de chalar en vano.

Y así, igual a dos planetas, hemos nosotros.
Parece estamos cerca, pero cada uno tiene su destino,
Lo tuyo - entre las estrellas ... Y mio por el polvo del universo,
Entre mis sueños sin valentía,
Llamando a la rectitud - mi cautivo.

Ojos a los ojos, con la franqueza -
Es curioso y triste,
Mientras que tu símbolo - es anarquía
Y mio - es locura ...


Stanislav Nosov 

M. Ano 2008. Poema.

*****
Сколь легче было бы жить без чувств...

Нет сострадания, нет тоски, нет боли,
И злиться силы нет,
И грусть уже не беспокоит боле.

Без завести, без радости,
Без совести и воли,
Как механизм часов в смирение
бить свой час по чьей то воле.

Се чувства я бы мог забыть,
Уснуть в тенях друзей, нырнув на дно стакана,
Но нет же! Есть одно!
Что как вино – коснувшись моих губ,
Мешает в хаос чувства все, как
вихрь урагана.

Что ль белый свет родил тебя
чтоб мучатся мне вечно?
Но душу дьяволу отдам! За наш,
любви ответной вечер.


Tradução para espanhol

                       *****

Qué preciosa sería la vida sin sentimientos ...

No hay compasión, ni tristeza, ni dolor.
No hay fuerza para enojarme,
Y la tristeza no me preocupa mas.

Sin envidia, sin alegría,
Sin conciencia y voluntad,
Como el mecanismo de un reloj
Batir su tiempo por la voluntad de alguien.

Los sentimientos esos yo podría olvidar,
Quedarse dormido en las sombras de los amigos, buceando en el fondo de la taza,
Pero no! Hay uno!
Que como un vino - tocando mis labios,
Mezcla aun caos los sentimientos todos,  
Como el torbellino de un huracán.

Sera luz blanca te he engendrado
Para que yo me sufre siempre?
Yo doy mi alma al diablo!  
Por una noche del amor reciproco...

                                                                                           Stanislav Nosov